A  Encarnação na China

       Cícero
          
Psicografia:Neuza Nóbrega Garcia


             A Grande Muralha  
                                
                                                                                    

            Acabara de deixar um mundo novo onde as almas lutavam pelo progresso implantando amor e paz nos corações. Seguia agora para um outro extremo da Terra, o berço das civilizações mais remotas, onde por séculos, perduraram lendas e mistérios, alimentando costumes e tradições.Com a rapidez do pensamento cheguei ao meu destino. Diante de minha visão se descortinava a Grande Muralha da China a se estender por quilômetros e quilômetros.
            Durante anos e anos, sob sol e chuva, calor ou frio, centenas de homens trabalharam para erguer aquele monumento que se tornou conhecido e admirado pelo mundo inteiro.
            Ela nos fala de um povo paciente e perseverante, que diante dos ataques inimigos, ergueram uma fortaleza como proteção do solo que amavam.
Agora  já podia toca-la. Sentir o cansaço, temor, tristeza, alegria, esperança, impregnados nas sucessivas camadas de terra, tijolo, pedra, cal, emanadas daqueles que deram seu suor e até a vida, na sua construção, assinalando as diversas fases da evolução chinesa.
            Por quanto tempo me senti seu prisioneiro?
Agora, no entanto, eu podia me dirigir a ela e dizer, sem temor, o que sentia: “Estou, mais uma vez, diante de ti. Não poderás mais barrar meus passos, pois hoje sou um Espírito livre, quite com as Leis de Deus. Não existe mais o antigo guerreiro nem o humilde lavrador. O sofrimento, o trabalho e a renovação me redimiram diante do Senhor”. De país em país, de encarnação em encarnação, fui me renovando, e hoje, vejo a vida com outra visão.
  O trabalho, como um agente do progresso.
  O dever, como compromisso sublime.
  A liberdade, como uma conquista pelo conhecimento da verdade.
  A paz, a consciência tranqüila, na vivência em harmonia com a lei divina.
  O amor, que julgava ser um coração batendo de encontro ao meu, agora o sinto ao estender a mão a um mendigo ou quando olho para meu próximo e o vejo como um irmão.
   Foi um longo e doloroso aprendizado, que me ajudou a vencer o orgulho, vaidade, ambição e egoísmo.
   Hoje posso caminhar tranqüilo, pois tenho Jesus para guiar-me os passos.”
     Sem olhar para trás, me afastei da grande muralha e segui em direção ao campo onde vivi um dia.

A Encarnação na China

         A partir do momento em que pisei o solo que vivera um dia, o passado foi ressurgindo em todas as suas minudências. As casas humildes de grandes tijolos de barro formavam o povoado onde vivia uma dezena de lavradores.
       O inverno chegara.
      A escuridão da noite descera sobre a aldeia. Um vento forte soprava balançando os galhos secos das árvores e penetrando nas casas, através das gretas existentes nas portas e janelas. Em uma das moradas, sob uma velha arca, a luz mortiça de uma vela iluminava um leito, onde uma jovem chinesa se contorcia com as fortes dores do parto. Num cômodo próximo, o companheiro permanecia atento, em grande expectativa, ante o nascimento do seu primeiro filho. Tinha ímpetos de romper as paredes quebrando a barreira que ela lhe impusera, no desejo de permanecer sozinha, ocultando sua dor.
      O vento aquietara, e o silencio tornara-se pesado, aumentando sua inquietação. Não mais se contendo, colocou o ouvido junto à porta na esperança de ouvir algo que lhe dissesse o que estava ocorrendo. Alguns minutos se passaram até que um débil gemido, acompanhado pelo choro de criança, chegou até ele. Suas pernas vergaram sob forte emoção e ali ficou sem qualquer movimento até que, não resistindo mais a longa espera, abriu a porta, rompendo quarto adentro. Lá estava ela deitada no leito com um pequenino ao lado.Sem qualquer palavra, olha-a, interrogativo. Estendendo-lhe o recém-nascido, ela exclama com orgulho: ”Toma nosso filho! É um menino! Lindo e forte, capaz de causar inveja aos deuses!”
    Assustado com as palavras imprevidentes da companheira, temeroso de que algum espírito maligno ali estivesse ou mesmo um deus invejoso a ouvisse, o devolve a mulher, falando-lhe com severidade para que ela compreendesse a imprudência que cometera: ”És mesmo uma tonta por elogiar uma criança feia e frágil, que por certo, deus algum invejaria”.
  Ela compreendendo o temor do marido toma o filho nos braços ofertando-lhe o seio onde o leite farto brotava. Ele o sorve com sofreguidão, enquanto o pai, disfarçadamente, o fita embevecido a pensar: “Aí está meu filho, belo e forte para me  ajudar no cultivo da terra e me amparar  em minha velhice. Depois dele virão seus filhos que continuarão o que meus ancestrais iniciaram e teremos sempre descendentes perpetuando nossa geração. A terra será sempre nossa, nunca deixará de produzir o alimento para nosso sustento e das gerações vindouras, pois saberemos amá-la e respeitá-la.”
      Os primeiros alvores da madrugada surgiam quando ele deixou o quarto com a luz da esperança aquecendo seu coração. Chegando ao alpendre, olha os campos verdejantes e se dirigindo a sua amada terra, fala-lhe com o coração: “Agora estou tranqüilo, pois uma parte de mim continuará te cultivando e quando a morte enregelar meu corpo, meu filho o depositará em teu seio e me transformarei em uma parte de ti ao transmutar-me em pó”.
      Foi assim que reencarnei no corpo humilde de um chinês.

Corpo e Espírito

  A primeira palavra que meu pai ensinou-me a pronunciar foi terra.

      Quando dei os primeiros passos ele levou-me pela mão a percorrer os campos e a proporção que crescia, ele me ensinava como se arava o chão, como era jogada a semente, a expectativa de vê-la brotar e a alegria da colheita. Tornei-me, assim, criança ainda,  consciente da importância da terra em nossas vidas.
      Era do seu solo, dizia-me ele, que, vinha o alimento para saciar nossa fome. Do seu leito provinha a água para matar nossa sede e era, ainda a terra, que recebia nosso corpo para sua última morada. Se a tratássemos com amor ela em troca nos daria tudo para nossa sobrevivência.
     Cresci olhando sempre para o chão, curvado sobre ele na faina diária de cultivá-lo. Não tenho a noção exata de quando, pela primeira vez, ergui meus olhos para o céu. Creio que foi quando uma seca nos ameaçou e vi meu pai, apreensivo, olhando para o alto a procura de nuvens que prenunciasse a chuva salvadora. Eu, que o imitava em tudo, também ergui meus olhos para o firmamento e, só então, percebi o encanto que havia no azul do céu. A partir daquele dia passei a busca-lo, sentindo que nele encontrara algo que não havia na terra.
       Ele me fascinava!
       Começou daí, minha transformação. Era como se dentro de mim existisse um outro homem que desejava libertar-se de uma prisão.Tal qual a lagarta feia e grosseira que ao livrar-se do casulo se transforma na bela borboleta para voejar livre, pelos campos, a usufruir os encantos que até então, lhe eram desconhecidos.  Sentia o cérebro ferver com novos pensamentos que se acrisolavam em formosas imagens, mas que oprimidas por um capacete de aço, não conseguiam florescer e se expandir livremente.

   Sofria  terrivelmente! Não me sentia o lavrador rude e embrutecido pelo trabalho, que não sabia ler nem escrever e que ao anoitecer, exausto, se atirava sobre o leito, trazendo no corpo o cheiro forte da terra que se impregnava cada vez mais dentro de mim como se eu já fosse uma parte dela e não conseguisse mais romper o elo que nos unia. Então, a outra parte de mim se rebelava a dizer: “Eu aspiro o céu! Tenho necessidade de sonhar, crescer,evoluir. Sinto fome de conhecimento que desvende o mistério dessa imensidão de azul que se descortina diante de minha visão e me fala de belezas imortais, de uma outra dimensão de vida, de mundos onde brilha a luz da sabedoria e o amor floresce em manhãs de primavera.
   Enquanto uma parte de mim era levada para um mundo distante, a outra reclamava:” Não se pode viver de sonhos e aspirações. Sou matéria. Tenho fome e sede. Necessidades que o céu não poderá satisfazer. Como abandonar a terra se é ela que me alimenta? Sem ela não haverá vida para mim.”
   A outra retrucava:”A vida é progresso! Não podemos viver unicamente da terra e para a terra. Somos parte do Universo! Eu sou uma chama e desejo brilhar como as estrelas que cintilam no firmamento mostrando aos homens a senda do progresso.Por quanto tempo impedirás que eu me liberte e busque as amplidões onde está o destino das almas imortais?”
  Mas o corpo prosseguia tentando se impor: “ Enquanto o fluido da vida me envolver estarás preso a mim tal qual um réprobo numa cela escura de uma prisão até quitares todos os teus débitos. A terra cobra-te o mal que um dia fizeste contra ela, por isso, deves rega-la com o suor do teu corpo amando-a e respeitando-a. Só, então, poderás brilhar iluminando as almas que jungidas ao pesado fardo da matéria, carregam a cruz que criaram com seus erros.

  A luta entre o corpo e o espírito, céu e terra, persistiam dentro de mim sem que houvesse um vencedor.  

Sonho e Realidade 

            O tempo na aldeia transcorria lentamente com os dias sempre iguais. A rotina somente era alterada quando eu acompanhava meu pai a cidade.
           Enquanto ele se ocupava na venda dos cereais ou na compra de algum utensílio que necessitávamos, eu andava pelas ruas a vagar por algum tempo até que meus pés, automaticamente, me conduziam para junto da grande muralha.
            Ela me atraia fazendo-me sentir como o pássaro diante da serpente, desejando fugir, mas sem conseguir se locomover preso ao seu magnetismo.
            Aqueles muros me fascinavam e horrorizavam ao mesmo tempo.
            Em minha imaginação comparava a muralha a um dragão a estender suas garras tentando aprisionar-me. Ficava parado a contempla-la até que, um torpor me tomava o corpo e ficava sem noção do que ocorria ao meu redor.
            Tomado por verdadeira alucinação eu me via com enorme espada a lutar ferozmente. As espadas brandiam no ar e o barulho que faziam se misturava aos gemidos dos homens que tombavam mortalmente feridos. Indiferente, eu passava sob os corpos estendidos no chão e a vista do sangue derramado, me fortalecia e prosseguia na luta até que uma grande barreira surgia a minha frente, tolhendo-me os passos. Despertava então, daquele pesadelo, mas continuava a ver o sangue a jorrar e infiltrar na terra tornando-a de um vermelho vivo.Sem forças para me locomover, ficava ali, parado, até que meu pai me encontrava e eu o seguia em silêncio. Sentia ímpetos de contar-lhe o que me acontecia, mas temendo que ele não encontrasse explicação para o fato e julgasse que eu havia perdido o juízo, silenciava, guardando para mim as estranhas visões que me assaltavam.
            Com o correr do tempo novas preocupações tomaram conta de meus dias. Notava que meu pai não possuía mais o mesmo vigor de outrora.O destino negara-lhe outro filho varão e eu me tornara no único bastão em que ele se apoiava.
            Aprendera a venerá-lo e saberia honrá-lo amparando-o, até seus últimos de vida. Quando ele me apresentou a mulher que escolhera para minha companheira eu permaneci calado. Não tive coragem de lhe falar sobre a imagem de mulher que povoava minhas noites com sonhos de amor e de ventura.
            O sonho se repetia sempre.
            Um alto muro se erguia a minha frente, mas eu o transpunha de um salto, atraído pela voz que se elevava suavemente numa canção de amor.
Percorria alamedas sombrias e desertas, chegando a um formoso jardim com um caramanchão ao fundo onde eu divisava sob a penumbra, a figura de uma mulher.
            Ao ver-me, ela se erguia e com seus passos ligeiros, se atirava em meus braços. Sua boca vermelha e pequenina se abria num sorriso de felicidade. Seus olhos amendoados brilhavam, ao fitar-me com amor. Seus cabelos pretos e sedosos, presos por dois crisântemos, se soltavam, ao meu toque, espalhando-se pelos ombros.  Esquecidos do perigo que nos ameaçava, entregávamos ao nosso imenso amor.

            O raiar do dia me despertava e eu voltava a minha triste realidade. Olhava
minhas mãos grossas e calejadas, meu corpo bruto e rústico, a vestimenta grosseira jogada aos pés da cama.
            Em meu sonho me vira belo, de mãos finas e delicadas. Minha túnica era de seda bordada a ouro.             Quem eu era afinal?
            E a bela jovem que me inspirava tanto amor?
            Talvez ela fizesse parte dos devaneios de meu espírito quando buscava a imensidão dos céus,
            Mas um novo dia começava e a terra me chamava.
            Procurei esquecer meu sonho e me casei com aquela que me fora destinada.

Um sonho que se concretiza

            Com meu casamento meu amor pela terra cresceu. O corpo agora tinha todas as suas necessidades satisfeitas e trabalhava com ardor. A terra parecia compreender-me, retribuindo minha dedicação. Dava gosto ver o campo sempre verdejante e os celeiros cheios. As moedas de prata que recebia com a venda dos cereais, começavam a se amontoar
no esconderijo que arranjara para guardá-las.
            A mulher que me fora destinada para companheira era dócil e trabalhadora. Quando eu acordava ela já estava de pé, pronta para servir-me o chá, se dividindo entre o serviço caseiro e a plantação. Os filhos chegavam anualmente, enchendo a casa de alegria. Meu velho pai descansava tranqüilo, ao lado dos netos, usufruindo o premio a que fizera jus por seu labor de tantos anos.
            Uma ambição crescera dentro de mim com a chegada dos filhos: adquirir tanta terra quanto me fosse possível cultivar, para que os filhos, ajudando-me,  mantivessem as mãos e a mente ocupadas, para que o ócio não lhes abrisse as portas para os vícios que levam as horas vazias.
            A cada pedaço de terra que adquiria pegava meu velho pai pela mão e o levava a percorrê-la, tal qual ele fizera comigo quando criança. Ele a olhava orgulhoso e eu via brilhar em seus olhos, o amor que a terra sempre lhe inspirara. Apertava fortemente a minha mão e deixando que eu o conduzisse, a sorrir, abanava a cabeça expressando sua aprovação. Eu podia ouvir seu pensamento: cumpri minha missão, pois consegui transmitir a meu filho o amor e o respeito aquela, que é nossa segunda mãe.
            Voltávamos felizes para casa como se fossemos uma só alma.
           Os anos corriam tranqüilos.Os meninos cresciam e meu pai passava os dias a cochilar sob o calor do sol.Uma tarde, ele pegou-me a mão, e se arrastando, me levou até o local onde estava enterrado o corpo de minha mãe. Abaixou-se com dificuldade, e pegando um punhado de terra, jogou-a pelo corpo enquanto erguia, para o céu, os olhos cheios de gratidão. Mais uma vez eu o compreendi sem que ele precisasse usar da palavra.
            Silenciosos, voltamos para casa.
            Alguns dias transcorreram e fiz novamente o mesmo trajeto, mas dessa vez, carregando seu corpo frio para enterra-lo no local que me indicara. Meus olhos permaneceram secos enquanto o depositava no regaço da sua querida terra como um filho que volta para o seio da mãe. Ela fechou-se suavemente sobre ele como se o aconchegasse em seus braços para que adormecesse tranqüilo.
            Com a morte de meu pai criou-se um vazio dentro de mim. Corpo e espírito se digladiavam novamente, cada um reclamando suas necessidades. A terra me retribuía fartamente o amor que lhe dedicara, mas o céu me atraia novamente, ressurgindo os velhos sonhos.
            Vagava pelas ruas da cidade, na expectativa de que, ao dobrar uma esquina, surgisse algo para encher o vazio de minha alma.
            Uma noite, como num sonho, eu a vi! Como era linda! Uma beleza suave e delicada, olhos amendoados, boca pequenina num rosto pálido que os cabelos negros emolduravam. Aquela imagem estava gravada dentro de mim e agora eu a encontrava! Sim, era ela! A mulher que acalentara meus sonhos nas longas noites de inverno. Mas, por que somente agora, quando os cabelos brancos surgiam a lembrar-me que a juventude se fora, ela surgira?            Não seria tarde de mais? Poderia os sonhos, renascerem das cinzas e aquecer-me os dias com o calor das ilusões, tornando o outono em primavera?
            Uma batalha se travava dentro de mim mas eu não podia deixar que outros homens a tocassem. Possuía muitas moedas de prata e poderia comprá-la... E assim o fiz.

Um Raio de Sol 

  Junto ao pátio do lado sul, construí novas dependências para abrigar aquela que transformara meus sonhos em realidade.
  Até aquele momento eu fora tal qual um peregrino, sempre a procura de um lugar em que pudesse repousar, aquietando os anseios do coração.
  Agora ao lado da mulher amada, meu espírito se aquietara como se tivesse encontrado sua outra parte que lhe fora arrebatada no correr dos séculos.  A felicidade, porém, me tornara egoísta. Somente via e vivia para aquela que me arrebatara para o céu.  Não parava para pensar com que direito o homem busca outra companheira para alimentar-lhe os sonhos e fantasias com a mesma naturalidade que adquiria um pedaço de terra. Nem uma vez, sequer, pensei naquela que cumpriu fielmente seus deveres curvando-se diariamente sob o trabalho exaustivo, colocando filhos no mundo, submissa e resignada. Se possuía sentimentos, se me amava e sofria com meus atos.  Eu só pensava no tempo que corria veloz desejando pará-lo para que os momentos felizes se prolongassem eternamente.  Meu corpo e espírito estavam tranqüilos. Durante o dia a terra era minha companheira a quem me dedicava no seu cultivo e a noite meus sonhos se concretizavam ao lado da mulher amada.
  Eu perdera a noção do tempo. Os filhos iam se tornando homens, a companheira envelhecera sem que eu visse as rugas profundas marcando-lhe o rosto pelas lagrimas derramadas no silêncio das noites vazias.
  Mas a dor despertou-me um dia.
 Com a alvorada de uma manhã de primavera minha doce amada cerrou os olhos para a vida. Apertei-a em meus braços tentando aquecê-la com meu calor. Sussurrei-lhe palavras de amor na esperança de que ouvindo o apelo do meu coração desesperado ela voltasse da morte, mas seus olhos continuaram fechados e seu corpo frio.  Do meu peito, então, ecoou o grito de uma alma apaixonada que não conseguia suportar a sua dor: “Por que os deuses a levaram? Eles a tinham feito escrava e agora, que eu a libertara, invejosos de nossa felicidade se vingavam tirando-a dos meus braços”.  Durante horas chorei e blasfemei até que a me voltou à lucidez.O sol já se punha no poente e eu precisava agir. Ela não era da terra como meu pai, o céu era sua morada. Escolhi um lugar onde se avistava o céu e onde flores silvestres brotavam alegres e coloridas. Com alguns tijolos e argila ergui uma lápide, forrei com folhas perfumadas  e aí depositei seu corpo, cobrindo-o com uma braçada de flores para que  sua alma, quando se desprendesse e voltasse para as paragens do infinito de onde saíra, para atender aos apelos do meu coração, guardasse a lembrança do nosso amor.
  Durante muitos dias permaneci sentado à soleira da porta a contemplar o céu, na esperança de vê-la surgir por entre as nuvens. Às vezes me perguntava se tudo não passara de um sonho, os mesmos que me acalentavam outrora, mas ali, em nosso cantinho, estavam seus objetos pessoais, atestando-me que tudo fora real.  Agora eu teria que viver apenas de lembranças...
  O tempo passava, mas em meu coração a dor da saudade não se apagava. Buscava no trabalho árduo o esquecimento, sem no entanto, conseguir apagar a lembrança daquela que me alegrara a existência.
  Meus filhos iam construindo família, e eu, como fizera meu pai, ia passando-lhes a terra para que a fizessem produzir, mas para eles ela era apenas um meio de sustento para sobreviverem. Eu não conseguira transmitir-lhes o mesmo amor que agasalhara meu coração e o de meu pai.
  A família foi aumentando com a chegada dos netos, mas eu perdera o interesse por tudo. O inverno dos anos chegara e eu me sentia muito só. Não mais me aproximara da companheira, pois a sombra da outra permanecia entre nós. Com os filhos nunca houvera a mesma ligação que me unia a meu pai. Passava os dias a cochilar pelos cantos sonhando com o passado. Foi, então, que mais uma neta nasceu, formosa como uma flor de lótus. Seus olhinhos amendoados buscavam-me onde eu estivesse e sorria ao me ver. Dei-lhe o nome de Sue Lin. Ela despertou-me novamente para a vida. Foi como um raio de sol aquecendo minha velhice.  Quanto mais ela crescia mais nos amávamos.Com seus passinhos ligeiros buscava-me para que a levasse a passear nos campos. Com exclamações de alegria saudava as flores que iam desabrochando. Ao entardecer sentávamos no alpendre e, enquanto o sol se despedia, eu contava-lhe histórias que falavam de deuses e dragões.
  Algumas vezes eu silenciava, recordando o passado, e ela, como se adivinhasse meus pensamentos, me acariciava a fronte como se quisesse apagá-los de minha memória. Outras vezes, era ela que se tornava tristonha e me cobria de perguntas:“Vovô, porque os deuses são maus e invejosos? Eles não deveriam ser bons e nos proteger? Por que para atenderem nossos pedidos temos que lhes dar oferendas? Como podem permitir que as mulheres se tornem escravas?”  Enlaçando-me o pescoço , a soluçar, prosseguia numa súplica: ”Vovô, não deixe que eles me tornem escrava! Eu quero ser livre como os passarinhos! Eu odeio os homens e os deuses!”.  Uma dor profunda me apertava o coração. Por que tanta amargura e revolta no coração de uma criança?!  Tomado por tristes pressentimentos, eu a apertava fortemente em meus braços. Desejava tranqüiliza-la, mas sentia–me velho e fraco, impotente diante dos homens e dos deuses.    

A Grande Seca

            Meus dias agora eram tranqüilos. Vivia o crepúsculo da vida quando a serenidade se impõe, após a inquietude da juventude e o ardor da maturidade. Meu corpo, enfraquecido pelos anos, quase nada mais exigia para se manter vivo. Logo a terra o receberia em seu seio tal qual a semente atirada à cova escura.
           Meu espírito já se impunha sobre a carne, que não possuía mais forças para prendê-lo. Sentia que breve estaria completamente livre. O que me mantinha ainda preso a Terra era o amor pela pequena Sue Lin. Sentia que nossos destinos estavam entrelaçados como almas que caminham juntas pela longa estrada da eternidade.
            Mas a vida, como a natureza, às vezes nos reserva surpresas.
            Como uma bela manhã não prediz o temporal que desabará a tarde, assim também, uma vida calma não faz supor que o infortúnio desça sobre nós.
            Os tempos de prosperidade nos cegaram. Não imaginávamos que a terra amiga, que sempre nos sustentara, fosse transformar-se pela seca, num chão árido em que os torrões se formavam, impedindo que a semente brotasse.  A pequena aldeia, antes tão verdejante, transformara-se num campo de desolação.Os celeiros começaram a se esvaziar. Tornamo-nos egoístas, guardando, avaramente, o que possuíamos. Sabíamos que nada brotaria naquele solo enquanto a chuva não viesse e molhasse o solo muitas vezes para que ele se tornasse novamente verde, como a esperança, que fugira de nossos corações. Desesperados, apelávamos para os deuses sem que nossas súplicas fossem ouvidas.Voltávamos nossos olhos para o céu em busca de nuvens, mas ele continuava azul e sereno. Muitos começaram a partir para as cidades na tentativa de encontrar trabalho.Na aldeia ficaram apenas velhos e crianças. Eu jamais pensaria em abandonar minha terra. Morreria naquele solo que me vira nascer e onde seria sepultado junto de meus ancestrais.
            Aquela manhã o desespero invadiu-me a alma. Não havia mais um grão sequer de alimento para nos enganar o estomago. As crianças, famintas, não mais se moviam pela casa. Calavam-se tristonhas, quietas pelos cantos, pressentindo que a morte se aproximava. Fitei Sue Lin. Seus olhinhos, outrora brilhantes e doces, agora, embaçados, refletiam o desespero da fome. Sua boquinha não mais sorria, permanecia cerrada num rito de amargura. Seus bracinhos pendiam inertes, junto ao corpo magro, onde os ossos se destacavam. Aproximei-me tomando-a nos braços. Ela permaneceu silenciosa, apenas seus olhos pareciam dizer-me: ”Mata a fome que me devora as entranhas. Vês? Não tenho mais forças para correr ou brincar. Tem pena de mim!”. Uma revolta surda cresceu dentro de mim. Mais uma vez desafiei os deuses que deixavam crianças inocentes morrerem de fome. Bradei contra a terra que se negara a nos alimentar. Não sabia mais a quem acusar. Uma idéia, então, começou a surgir dentro de mim.Teria que agir rapidamente antes que fosse tarde de mais e, de mãos dadas com a pequena Sue Lin, seguimos pela longa estrada que nos conduziria a cidade.
 O destino, que eu cortara um dia, talvez , tivesse que ser cumprido.
Enquanto caminhava de volta a casa, meu corpo se curvava sob o peso de minha consciência.
Diante de minha visão a figura de Sue Lin, pequenina e frágil, a fitar-me como uma acusação ao ato que praticara.
Por mais mais que procurasse uma atenuante por livrá-la da morte pela fome, ao vende-la como escrava, minha consciência, desperta, me acusava sem cessar: "O que será feito dela, pobre criança, nas mãos de pessoas estranhas, sem carinho e proteção? Não seria preferível a morte a escravidão?"
Eu tentava me defender, mas ela continuava implacável:"O que leva o homem a supor que a mulher nasce predestinada a ser por ele subjugada? As almas não se diferenciam pelo sexo, mas pelo grau de elevação.
Não se deve aceitar passivamente a escravidão da mulher nem de ser algum. Há tradições que precisam ser extintas. A proporção que teu corpo se enfraquece tua percepção da vida vai se modificando.É teu espírito que
começa a romper a barreira da carne no desejo de brilhar como uma luz para iluminar teus dias.
Já existe dentro de ti a intuição de que uma força poderosa rege céus e terra influenciando o destino
dos homens. Essa força não provém dos ídolos de barro a quem aprendeste a ver como deuses e se curvar
temeroso diante deles."
"Não tentes, pois, tentar me calar, mas nas horas do entardecer permanece em meditação e poderás me ouvir.
Eu sou a tua consciência ligada a ti desde o momento em que foste criado para ajudar-te a crescer e me
erguerei sempre que praticares atos que possam me ferir."
Os dias agora passavam lentamente.
A chuva caiu finalmente, molhando a terra. Os campos tornaram-se verdes novamente, trazendo de volta
homens e mulheres. Ninguém se importou com a falta de Sue Lin. Era uma boca a menos para ser
alimentada. Eu, no entanto, não a esquecia, alimentando a esperança de resgatá-la, livrando-a da
escravidão. A fraqueza, porém, invadia-me o corpo e as forças se esvaiam rapidamente impedindo-me
de deixar o leito.Sozinho com meus pensamentos, procurava ouvir a voz que me falara um dia para lhe
perguntar:" Serei julgado um dia por um tribunal? Será que o sofrimento que me acabrunha os dias
 não será maior que qualquer castigo que me seja imposto?"  Mas a voz jamais respondeu as minha indagações.
Meus dias na Terra chegavam ao fim.
Até o último momento alimentei a esperança de que um milagre acontecesse e eu pudesse vê-la
para pedir-lhe perdão, suplicando que apagasse do coração o ódio aos homens  e aos
deuses. Mostrar-lhe que os homens ainda não haviam amadurecido, por isso oprimiam as mulheres.
Um dia a Terra conheceria um Deus justo e bondoso, que enviaria alguém para nos consolar e
proteger, libertando a mulher e elevando-a, através do amor.
Com esse pensamento entreguei meu corpo a terra sem ter o consolo de ver e falar a minha pequenina Sue Lin.

Uma figura de mulher 

          Ao rememorar o passado senti o coração dorido ao ver, por quantos séculos, a mulher ser considerada  inferior, escravizada, brutalizada, usada como um objeto.
            Com a vinda do Cristo, finalmente, foi dignificada através da figura sacrossanta de Maria, que ao receber Jesus em seus braços, tornou-se a mãe amada e respeitada de todos os sofredores.
            Vejo-te, Rosa Mística, em teu dia glorioso. Um sorriso de felicidade, iluminava tua face ao fitar amorosamente, Jesus pequenino, a repousar tranqüilo, na humilde manjedoura.
Tento imaginar a dor que te rasgou o peito ao segui-lo até o calvário. Ver as  mãos impiedosas que, cruelmente,  O pregaram na cruz. Assistias a tudo em silêncio. Sufocaste o desejo de estreitá-lo em seus braços e cerrar-lhe os olhos no último suspiro. Apesar do sofrimento, de teus olhos as lagrimas do desespero não desceram, continuaste fitando-o sem acusar, sem se revoltar. Apenas murmuravas baixinho, sem que ninguém te ouvisse:
”Por quê? Por quê?”
            Senhora, mãe querida! Quisera curvar-me diante de ti e beijar-te os pés suplicando perdão pelas inúmeras vezes que te ofendi ao magoar ou ferir uma mulher.
Mãe Santíssima! Dá-nos consciência do dever que nos compete diante daquelas que nos trouxeram em seu ventre e nos agasalharam em seu seio como filhos, dando-nos a oportunidade de evoluir.
Ensina-nos a amar e respeitar as companheiras que compartilham de nossa existência e com quem repartimos dores e alegrias, compromissos e deveres.
A amparar e iluminar aquelas que foram confiadas como filhas, ofertando-lhes o carinho e a orientação que necessitam para se tornarem dignas do compromisso que assumiram ao receberem um corpo de mulher.
Ajuda-nos a aprender a amar e respeitar a todas as mulheres como companheiras em evolução, sem jamais usar a força ou falsos direitos para subjugá-las aos nossos caprichos ou violentá-las em seus ideais.
Fortalece-nos para que nossas mãos se entrelacem no afeto que une e eleva as almas.
Rogo-te, ainda, ilumine a todas as mulheres para que se conscientizem da sublime missão que lhes foi outorgada por Deus e não fujam ao dever da maternidade quando sentirem dentro de si,  palpitar,  a vida de um pequenino ser, ansioso por um pensamento de amor daquela que um dia chamarão docemente: ”Mamãe!”
            Maria! Luz de nossa vida! Volve teus olhos amorosos sobre nós e cobre-nos com teu manto protetor para que nos tornemos dignos do teu amor. Estende tuas mãos e guia-nos pelos caminhos da vida como filhos carentes sempre que te saudarmos com a prece que te glorificou:
    Ave Maria! Cheia de graça
O Senhor é convosco, 
Bendito é o fruto do vosso ventre
Jesus.    

 Sonho de liberdade

            Após a prece, doce paz invadiu-me a alma como se mãos carinhosas tirassem de dentro de mim qualquer vestígio do passado culposo. O sol rompeu derramando sua luz sobre os campos onde os velhos lavradores, curvados sobre a terra, começavam sua lida diária.
            Para eles, quase nada mudara durante os séculos decorridos.Seus pensamentos eram o mesmo de meus ancestrais.O amor a terra, a preocupação com a colheita, a incerteza do tempo.
           Aproximando-me dos mais jovens, tentei auscultar-lhes o pensamento e senti o quanto foram atingidos pelas mudanças por que passava o país.
            Desvencilhados dos velhos costumes que alimentaram seus pais, tentavam vencer as barreiras que os oprimia.
            Uma palavra vibrava em suas mentes e eu podia vê-la a reluzir em seus olhos. Palavra que rompe grilhões, incentiva lutas e se mantém viva nos corações de todos os povos oprimidos. Eu a via como uma chama gravada em letras de fogo: ”Liberdade! Liberdade!”.
            Quanto sangue ainda seria derramado pela ânsia de sua conquista?
            Quantos jovens tombarão com os corpos estraçalhados no afã de desfraldá-la sob os céus?
            Quantos homens serão  arrancados do pedestal que o orgulho, a vaidade e a ambição o colocaram para que ela possa reinar sobre a Terra?
            Quantos tiranos terão que deixar de existir para que ela se torne uma chama brilhando entre todos os povos?
            Quanto conhecimento teremos que adquirir, quanta renovação ela nos exigirá para que a tenhamos em nosso coração?
            Mas era hora de seguir adiante, pois uma nova luta pela liberdade estava preste a se iniciar. Fitei mais uma vez os velhos lavradores e vi o medo de que a luta chegasse até eles quebrando-lhes o sossego, perturbando-lhes o trabalho, interferindo em suas vidas.
            No olhar dos jovens, porém, eu via o desejo de trocar a ferramenta do trabalho pelas armas para lutar por seus ideais.
            Diante de mim se travava uma verdadeira guerra de pensamentos entre a ponderação, a serenidade dos velhos contra a exaltação e a agressividade dos jovens.Como seria bom se essas forças se unissem para que o equilíbrio e a moderação pudessem existir evitando tantas lagrimas.
            Assim deixei o campo e segui para a grande cidade a tempo de presenciar a cena brutal que ali se desenrolava.
            Na grande praça, um pesado tanque, com suas rajadas mortíferas, varava cruelmente o corpo de dezenas de jovens que lutavam pela liberdade.Vi, comovido, como agia a misericórdia divina. Diversos Espíritos da seara do Cristo socorriam os agonizantes. Juntei-me a eles procurando amparar aqueles que iam sendo desligados do corpo físico.
Enquanto os aconchegava junto ao peito, elevava meu pensamento numa suplica ao Senhor dos Mundos:“Senhor! Tu que és o poder e a misericórdia, silencia o troar dos canhões para que possamos ouvir, o canto da liberdade, que brota do coração dos jovens ansiosos por um novo porvir.
            Ajuda-nos a suavizar o desespero das mães, que choram, abraçadas aos corpos ensangüentados dos filhos que eram a esperança de suas vidas.
Ilumine os homens que projetam as mais modernas armas para que voltem suas mentes para a descoberta de novos medicamentos que possam aliviar as dores, curar as enfermidades que vão surgindo e que tanto sofrimento causam a humanidade.
Acende a chama do amor nos corações para que a guerra seja banida da face da Terra e a paz a transforme no paraíso que criaste para a evolução dos seres.”
            Enquanto os canhões silenciavam e a noticia do morticínio se espalhava pelo mundo causando tristeza, revolta, protestos, os Obreiros do Senhor, se afastavam levando os Espíritos dos jovens que acabavam de dar a vida pelo sonho da liberdade.
            Deixei a China com suas lutas e conflitos, mas um pedaço de mim ficava junto com meus irmãos no desejo de que a luz do Cristo chegasse a seus corações para que encontrassem a liberdade através da fraternidade e do amor.
            Até um dia! Acenei tristemente do alto.     

O Grande Deserto 

Enquanto as muralhas se apagavam de minha visão, o grande deserto surgia trazendo-me novas lembranças.
A caravana caminhava lentamente sobre o sol abrasador.
A paisagem agreste se repetia sempre. Ali, natureza e homens se identificavam como se eles tivessem sido moldados naquele ambiente. Seus corpos – matéria bruta. Seus espíritos – consciência adormecida.Tal qual animais selvagens, viviam do instinto, nutrindo-se de paixões violentas, sem culpas ou remorsos.
No coração daquele mongol, que os guiava, no entanto, havia a intuição de um novo mundo. Sonhava com grandes extensões de águas, muito além da imensidão do deserto. Montanhas que pareciam tocar o infinito e campinas verdejantes onde corriam regatos tranqüilos e onde poderiam repousar fitando o azul do céu. Durante muito tempo ele guardou para si o seu sonho a se perguntar onde ficaria esse mundo? Que direção tomar para alcança-lo?
Eles continuavam a caminhar. Viam o dia terminar, a noite chegar com seu manto escuro e as estrelas que brilhavam no firmamento, era a única luz que os iluminava.
 Ele não imaginava, que para conquistar esse mundo, teria que lutar, ferir, matar.
Como foi longa e penosa minha caminhada daquele deserto até o momento atual! Quantas lutas eu tive que travar! Primeiro com aqueles que se antepunham em meu caminho, depois comigo mesmo! Quantas muralhas se ergueram a minha frente e quantas tive que derrubar! Primeiro elas eram de pedras, tijolos, cimento, erguidas pelas mãos dos homens. Com o tempo elas se transformaram. Eu mesmo as erguia dentro de mim com meu egoísmo, orgulho, vaidade e ambição, tornando-me prisioneiro de mim mesmo.
Um dia, uma centelha de luz conseguiu romper as muralhas que eu erguera, mostrando-me a verdade.Consegui ver  minha pequenez. Conheci, então, a humildade. Com ela consegui derrubar algumas muralhas e conheci  a renuncia – triste e bela – que me ensinou o perdão – suave e refrescante como a gota de orvalho. Logo após surgiu o amor – resplendente como o diamante – mostrando-me a caridade!
Foi tal a dimensão de sua luz que encontrei Jesus! Desde esse momento ergui a bandeira da paz tentando despertar nos corações a solidariedade para que todos tivessem direito ao alimento, a educação, a um pedaço de chão, a liberdade e o respeito que todo ser humano merece.
Entre aqueles jovens que tombaram na Praça da Paz Celestial, se encontrava alguns remanescentes daquela antiga caravana.
Continuavam lutando em busca de um mundo de liberdade, paz e amor.
Pedi a Jesus que me permitisse guiá-los novamente. Não mais na luta por um pedaço de terra, mas na conquista de valores eternos.
Não mais derrubando muralhas de pedras que impediam nossa passagem, mas as muralhas de nossas inferioridades que impedem nossa elevação.
Será uma longa estrada a percorrer, mas não estarão sozinhos, pois a mesma luz que me guiou os guiará e poderão ouvir a doce voz que ecoará em seus corações chamando-os para junto de si:
“ Vem! Não sejam recalcitrantes ao meu chamado. Só se tornarão livres quando encontrarem a verdade.
Eu sou:
” O Caminho a Verdade e a Vida!”
Só eu possuo o balsamo capaz de cicatrizar as feridas causadas pelas injustiças e as desigualdades.
Só eu possuo a força capaz de ajudar o homem a vencer a si mesmo e seguir o caminho da redenção.
Vem! Vem comigo!
Eu sou o Pastor que os conduzirá pelos vales verdejantes para que o calor não lhes abrase a alma.
Só eu possuo a luz para que não se percam na escuridão.
Eu sou a esperança que os incentivará na caminhada do porvir.
Eu sou o amor que perdoa e consola.
Vem comigo.
Eu Sou Jesus!”

Música: Em algum lugar do passado - mid

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