

A Trova
Enquanto semanalmente participava do
trabalho mediúnico, em casa, com uma amiga, iniciava, também semanalmente, das
14 as 15 horas, vibração para os
enfermos.
Com a continuação do mesmo, conseguimos a aproximação de vários Espíritos
iluminados, que passaram
a transmitir por meu intermédio, no final das preces, mensagens
de incentivo, conforto e esperança.
Havia uma mensagem que era sempre iniciada por uma quadrinha e na assinatura
constava o nome: Cícero.
Ele passou a ter uma significação especial para mim,
tornando-se um companheiro constante
me ajudando no trabalho, mas, se confortava e iluminava, era severo em
suas reprimendas, apontando duramente minhas faltas e fraquezas.
Aquele domingo fiz no almoço um frango bem corado e dos pedacinhos que
ficaram presos
no fundo da panela fiz uma gostosa farofa.
Na segunda-feira me
senti indisposta o dia todo.
Mesmo assim, a noite, estava
sentada em minha cadeira, envolta da mesa, como de costume.
A reunião se iniciou e meu mal estar piorava sem me deixar participar do
trabalho mediúnico.
A reunião já estava prestes a terminar quando ouvi uma quadrinha
que jamais esquecerei:
“O médium invigilante,
No falar, ouvir ou comer,
Transforma-se em pasto de vermes
E não cumpre o seu dever “.
Ali estava o Cícero a puxar-me a orelha!
Somente alguns anos mais tarde, quando escrevi o nosso livro: Vidas que
se cruzam,
eu vim a saber
o porque das quadrinhas que acompanhavam as mensagens do nosso
querido amigo e
da ligação que nos unia há séculos.
Revivendo o
Passado
Muitas pessoas jamais tiveram qualquer visão, sonho ou lembrança, que lhes atestasse
uma vida anterior.
Comigo, porém, foi diferente. Elas sempre
brotaram em fragmentos.
Quando jovem gostava de ficar debruçada nas janelas de nosso sobrado
a contemplar os morros que nos
cercavam e que me recordavam algum lugar que amara e não conseguia esquecer.
Tenho um
sobrinho, coronel reformado do exercito, que comandou o
quartel da cidade de Valença - RJ
Após sua posse fomos
visitá-lo.
Logo a entrada do quartel lembranças começaram a surgir em
minha mente.
As paisagens iam surgindo antes de vê-las
Não posso descrever a emoção que senti ao contemplar aquele lugar
que estava
gravado em minha alma.
Lá embaixo estava a planície com o pequeno riacho, algumas árvores e
os morros azulados no fundo!
Do outro lado, a velha árvore de onde se
avistava a cidade lá em baixo.
Não me restou nenhuma duvida de que um dia,
num
passado bem próximo, eu pisara aquele solo,
sentara de baixo daquela árvore
centenária, e contemplara encantada,
aquela mesma paisagem que agora me
emocionava.
Soube algum tempo depois que o quartel havia sido uma fazenda.
Meu bisavô,
o Barão do Engenho Novo, possuíra uma fazenda de café em Valença e suas
filhas,
quando jovens freqüentavam a cidade..
Tudo me leva a crer que fui uma de suas filhas, aquela que morreu ainda jovem e
reencarnado
anos
mais tarde, na mesma família como sua bisneta?!

Vista do quartel da
cidade de Valença RJ
Os Músicos
Quando me mudei para Cruzeiro,
participei do Culto do Lar na
casa de uma amiga,onde usávamos música clássica durante as reuniões.
Uma noite iniciada as vibrações senti a aproximação de um Espírito,
e consegui ver, pela
primeira vez . Ele sera jovem e se apresentava com trajes do século
passado.
Através do pensamento me disse que era músico e juntamente com outros
companheiros,
em trabalho na Terra, buscavam grupos
assim
como o
nosso, para
através de acordes musicais aliviar o sofrimento e curar
enfermos.
Eu sentia uma cólica persistente que ficara como seqüela da
radioterapia que fiz, quando tive o câncer,
fazendo uso, constante, de analgésicos. Ele mostrando-se consciente do
mal que me afligia, disse
que com um simples
acorde poderia curar-me. Como num sonho, passei a ver luzes coloridas
saindo da melodia e indo diretamente para o local onde sentia a dor.
Ao
terminar a reunião, a companheira ao meu lado o descreveu, seu corte de cabelo,
a
fisionomia ,o traje, exatamente como me apareceu! Tudo nos indicava tratar-se de Liszt, quando jovem.
A minha
dor havia desaparecido e nunca mais voltou!
Na reunião seguinte, uma nova visita.
Figura austera, cabelos encanecidos,
não foi difícil supormos tratar-se de Beethoven.
Emocionou-me, profundamente, a
beleza de seus sentimentos. Se referiu aos anseios do seu coração.
Demonstrando grande tristeza no olhar, falou sobre os pequeninos botões de rosa que não
chegavam a se abrir...
as crianças que nasciam com deformidades físicas.
Pretendia levar á elas suas vibrações e também as almas torturadas
pelo infortúnio da loucura,
que se agrupavam em hospitais sombrios. Aliviar a falta de ar e a tosse constante e sufocante
dos seres que se definhavam lentamente, minados pela tuberculose.
Enquanto seus
pensamentos iam penetrando em minha alma, umas dezenas de botões de rosa,de
diversas
cores, iam surgindo e se espalhando pelo ar e desapareciam para darem lugar á
centenas de gotas de luz
que se espalhavam como uma chuva prateada e eram projetadas em varias direções.
Foi a mais bela visão espiritual que me foi dado ver!
O último músico permaneceu distante.
Sentado ao lado de um piano dourado e de
costas para nós.
Parecia envolto em nevoas
como vivenciando o passado que nos
era projetado por seus pensamentos:
Uma luz pálida iluminava casas graciosas e casais de
namorados que caminhavam de mãos dadas.
Sonhava em confortar os jovens que
sofrem pela perda de um amor.
As mães que choram diante de um berço vazio.
Levar calor aos lares humildes nas
noites de inverno, onde o lume permanece apagado e as
criancinhas sonham
com um
caldo quente e um pedaço de pão. Chegar aos corações torturados
pela dor para
consolá-los, pois também sofreu muito quando esteve na Terra.
Não tivemos duvidas de que se tratava de Chopin!
Durante algum tempo, vivi sob o impacto do que vira a me perguntar se
realmente,
tivemos a visita
dos famosos músicos... Comentando por telefone o caso com meu amigo
Luiz, ele me enviou o livro:
”Contatos Musicais de Rosemary Brown", médium
inglesa que há muitos anos recebia a visita deles.
Para ela, Liszt também se
apresentava jovem!
Infelizmente mudanças ocorridas no grupo não nos permitiu ser participes num
trabalho de tanto amor e beleza!
A teia de aranha
Minha irmã
Ruth é Mãe de Santo. Muito dedicada à doutrina que abraçou, trata com
muito
carinho os “seus filhos”, aconselhando-os, através do Preto Velho que recebe.
Em minhas “andanças” em desdobramento durante o sono, ao despertar, é
comum lembrar-me
dos lugares por onde andei.
Uma noite fui á um local onde
havia grande movimento de
encarnados e desencarnados e lá estava minha irmã.
Sentada numa bela cadeira de vime,
pintada de branco,
atendia as pessoas que a
procuravam em busca de conselhos e ajuda.
Porém, o que me chamou a atenção, foi um grande quadro, às suas costas
onde estava estampado o desenho de uma teia de
aranha.
A explicação de “alguém,” que
sempre me acompanha, me deu sobre o significado do quadro que tanto
me impressionou
é que ele
foi feito para chamar a atenção das
pessoas sobre a importância da vigilância.
O cuidado que devemos ter
com nossos
pensamentos e atos, pois, como a aranha, somos nós que tecemos as
diversas teias em que nos
emaranhamos
e das quais, muitas vezes, não conseguimos nos desvencilhar.
Infortúnio, dores, problemas e até mesmo certas enfermidades, somos nós que
tecemos com
nossa imprevidência,
pagando muito caro por nossos atos impensados.
O interessante é que minha irmã não guardou a menor lembrança do que
ocorrera,
mas confirmou,
quando lhe narrei o fato,
que tivera uma cadeira assim,
onde sentava para atender “seus filhos”.
João do Caminho
Quando meu marido teve seu estado de saúde agravado, enfisema pulmonar e
coração,
tossia muito, devido a febre e
variava à noite quase toda.
Sem saber
mais o que fazer para ajudá-lo, uma madrugada, angustiada, desejei ter alguém
ao
meu lado que me confortasse com uma palavra amiga e me doasse força, para não
fraquejar.
Senti, então, a aproximação de um Espírito de meia idade, homem
simples, meio rude até.
Desejando saber de quem se tratava, tentei comunicar-me
através do pensamento.
Foram, mais ou menos, essas, as suas palavras:
“Eu sou um servo do Senhor. No silêncio das noites sob a luz das
estrelas, caminho
ao encontro daqueles que gemem e clamam por auxilio.
As
estrelas lembram-me os olhos de Jesus a fitar-me com amor e me dão força e
coragem
para prosseguir suavizando as dores, pois é durante as madrugadas
que
elas aumentam e os gemidos ecoam mais dolorosos.
Foi assim, que me tornei no
João do Caminho, o caminhante da noite, o pequeno servidor
do Cristo, pois Ele
também
foi um caminhante das estradas, curando muitos
que encontrava em seu
caminho.
Bendigo a Ele por tudo que nos deu nos ensinando a amar e servir.”
Durante o resto da noite permaneceu ao lado de meu marido,
trazendo-nos tranqüilidade ao coração.
Mostrou-me com sua dedicação,
o mundo maravilhoso de amor e proteção que nos cerca e
que poucos conhecem por
faltar-nos à visão espiritual. Com ele tive a confirmação de que nunca
estamos
sozinhos,
pois Deus jamais deixa ao desamparo aquele que confia na sua proteção.
Sem a Caridade não há Salvação
Nossa
doutrina nos diz que sem a caridade não há salvação.
Além de nos elevar, ela
impede
que nossos inimigos
nos atinjam com seu ódio,
evitando-nos dolorosas obsessões.
Quando meu filho completou dois anos de idade, passando a fazer suas
roupinhas,
lembrei-me
daquelas outras crianças que não conheciam a alegria de
uma roupa nova
ou de um agasalho que as aquecesse do frio.
Comecei
assim, no inverno e no Natal, a confeccionar roupas para doar as crianças
carentes.
Ao mudar-me para o apartamento tive por visinho o Sr. Osvaldino Gambôa, um dos
fundadores da primeira casa espírita de Volta Redonda, e de sua esposa D. Morena.
Passei a
dar-lhe minha modesta contribuição,acrescida de peças para enxoval de neném.
A tesoura tornou-se então, meu instrumento de Caridade.
Ao tornar-me espírita, em uma das primeiras reuniões que compareci, o
dirigente viu o
Espírito de
uma mulher a quem no passado, eu ferira
e que,
apesar do ódio que me devotava,
alguma
“coisa” me protegia e a
impedia de me atingir em seu desejo de vingança.
Anos depois, através do nosso livro, tornei-me ciente de que por ciúme
em uma
encarnação em Roma,
agredira uma rival com uma tesoura e agora, antes de reencarnar,
prometera ressarcir
meu erro, utilizando
o instrumento que usara no mal, na pratica do bem.
Costuraria para as crianças que não tinham o que vestir.
Seria o amor cobrindo a
multidão de pecados!
A promessa, fielmente cumprida, impediu que minha antiga
rival
me atingisse em sua
vingança,
mas mesmo assim, a lei de ação e reação, apesar
de suavizada, não deixou de
ser cumprida:
meu corpo foi cortado inúmeras vezes
pelo bisturi dos médicos,
através de sucessivas operações.
Despedidas em Desprendimento
Eu tinha apenas oito anos de idade quando meu pai faleceu. Estando adoentado e
minha mãe
desceu para buscar-lhe o café da manhã, ao regressar, o encontrou morto.
Eu
acordei com ela o sacudindo e chamando-o repetidas vezes pelo nome.
Jamais
esqueci aquele momento.
Fato quase idêntico ocorreu com meu marido. Após dar-lhe o café da manhã, o
deixei na
cama no quarto e ao voltar, poucos minutos depois, o
encontrei morto.
Assim também foi com minha mãe.
Eu havia passado a noite com ela e pela primeira vez em meses ela dormiu
tranqüila.
Aproveitei sua melhora e fui até Volta Redonda pegar umas roupas.
Quando
regressei ela já estava morta.
Isso nos
confirma que a espiritualidade nos dá a ilusão de melhora para nos afastar de
nossos entes
queridos para que os laços que prendem o espírito ao corpo
possam
ser desligados tranqüilamente.
Creio que a morte de meu pai me “anestesiou”.
Não mais consegui
chorar durante a passagem de meus entes queridos, agindo automaticamente.
Após o falecimento de minha mãe, (como citei anteriormente) passei a
encontrar-me com
ela
durante o sono, mas, ao tornar-me espírita, não sei porque, isso não mais
ocorreu.
Certa manhã acordei com a firme convicção de que ela viera nos ver.
Passados dois ou três dias, despertei em prantos, desesperada.
Eu
estivera numa praia onde alguns Espíritos regressavam juntos para a
espiritualidade.
Minha mãe estava entre eles. Ao dar-lhe adeus, vendo-a
elevar-se e desaparecer
no infinito, minha dor foi tão grande que chorei desesperada.
Pareceu-me que foi aquele o momento de sua morte.
Morando longe de
nós, quase não convivi com minha madrinha Izaura,
mas mesmo assim lhe dedicava um grande amor.
Certa manhã acordei com a certeza de sua
morte.
Lembrava que estivera em seu apartamento para me despedir e tivera que me
identificar como sua afilhada
diante um Espírito que montava guarda na
porta do
seu quarto.
Narrei o fato a minha irmã Jandira com a certeza que ela havia falecido.
Dias depois, através de uma
prima, tivea confirmação de sua morte.
Isso nos prova que para o
Espírito não há barreiras. Ele
“sopra
onde quer”.
É livre para ver, se encontrar e se despedir daqueles a quem
verdadeiramente ama.
Avisos
Muitas vezes, em sua infinita misericórdia, Deus usa os amigos espirituais para
nos avisar,
de um modo suave,o que nos sucederá.
Inúmeras vezes tive esses avisos que me tornavam consciente de enfermidades,
acidentes ou mortes.
Houve um caso em que o aviso veio de uma forma pitoresca.
Durante o sono me foi mostrado três pombos que iam caindo mortos sobre uma
lápide de pedra.
O primeiro a cair era gordo e me causou grande surpresa.
O segundo era pequenino e magro e o terceiro um pouquinho maior.
Ao despertar previ, naturalmente, quem eram os dois últimos, mas não conseguia
lembrar
quem era o primeiro. Poucos dias após, fomos surpreendidos com a morte de meu
cunhado,
que era gordo, vitimado por um derrame.Uma semana depois minha irmã
falecia, pequenininha
e frágil,
vitimada por dolorosa enfermidade e por último, meu irmão, com um câncer no
estomago.
Foi bem diferente o aviso da morte de meu marido.
Esgotada pelas noites quase sem dormir, aquela tarde adormeci durante uma meia
hora
e acordei
invadida por grande tristeza.
Em meus ouvidos repercutia a música que ouvira
durante o sono. Música que na infância,
sempre me causava grande tristeza levando-me
as lagrimas.
Uma letra simples, narrava a hora do nascimento, do batizado, do
casamento, da doença,
da morte e da chegada a meia noite no céu.
Cinco dias após, meu marido falecia.
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Música: Ernesto Cortazar -Over the Rainbow