A Visita de Mira 

            Quando recebi uma pequena mensagem dizendo que  um livro deveria ser escrito sobre fatos
 ocorridos numa encarnação passada quando teve inicio nosso trabalho mediúnico, pensei
imediatamente no Luiz, pois ele era o mais indicado para tal.
Falei com ele, dando-lhe a mensagem que recebera.
 Ele me disse já haver pensado no assunto, mas, trabalhando muito não
conseguia tempo para concretizar seu desejo. Esqueci do livro.
          Passado algum tempo, recebi nova mensagem que eu  teria que escrever o livro.

Expus minha incapacidade: pouco estudo, dificuldade para escrever, incompetência mesmo.
Mas eles insistiram.
           Algumas  cenas de nossa encarnação como ciganas, na Espanha, me foram mostradas e como
eu deveria transportá-las para o papel.
          Assustada, julgando estar sendo obsediada, conversei novamente com Luiz e com a Ayrdes,
uma amiga também incluída na história.
Eles me dissuadiram de envolvimento e me aconselharam a escrever.
         A partir daí, toda segunda-feira, eu levava para o Luiz os capítulos que escrevera durante a semana.
        Mas a proporção que a história foi se desenvolvendo, surgiram cenas muito dolorosas e
comecei a sofrer muito. Houve um capitulo que chorei tanto que resolvi não mais escrever,
não queria saber nada desse passado, chegando a duvidar da veracidade do mesmo e da  existência
de Mira, nossa protetora no romance." Se ela existe realmente por que nunca se manifestou
em meus momentos de sofrimento?"
Em nosso apartamento criei um cômodo para meu recolhimento.Nele eu costurava, pintava, orava,
lia e meditava sobre a doutrina ouvindo meus discos de músicas clássicas.
     Na tarde de um sábado, recolhida em “meu refugio”, olhos cerrados, embalada pela beleza da musica,
 desligara-me do mundo. Repentinamente senti como se o ar se tornasse mais leve e perfumado.
Compreendi que alguém muito especial se aproximava.
“Mira!” Exclamei, instantaneamente. Ela veio me ver!
     Emocionada, sem conseguir conter as lagrimas,  ouvi, finalmente, sua primeira mensagem!
    Peguei novamente papel e lápis e embora sofrendo,consegui terminar o livro que tantas lagrimas me causou: 
“VIDAS QUE SE CRUZAM”.

A mensagem de Mira 

      Não queira fugir ao sofrimento. As vezes precisamos sofrer para nos libertar.
 Buscar lá dentro,escondido no fundo de nossa alma, resquícios do passado que nos causam
melancolia e dor amargurando nossos dias.
  É necessário  ir ao encontro das lembranças que não se apagaram,  pelo temor de encará-las.
São os erros que praticamos, fraquezas que ainda não vencemos e que impedem nosso progresso.
É por isso que temos que voltar ao passado, chegar até nossos companheiros que ficaram perdidos entre
sombras e estender-lhes nossas mãos para que possam se erguer e caminhar pela estrada do bem.
  Não poderemos galgar altos degraus se negarmos apoio aos que não possuem forças para iniciarem sozinhos  a
escalada e aguardam ansiosos por aqueles que amaram ou mesmo odiaram os ajude.
Voltemos nossos olhos para trás e veremos que muitos ainda lá se encontram,
parados no mesmo lugar em que os deixamos.
Não poderemos encontrar a paz enquanto os que se ligaram a nós vivem em luta contra constante, nem ser feliz, enquanto os que compartilharam de nossos sonhos, gemem abandonados, perdidos no vale do sofrimento.
Por isso, muitas vezes teremos que voltar, sofrer, chorar, mas voltar e ajudar,
 pois somente assim nos livraremos dos grilhões que nos prendem ao passado.
Quantos ainda permanecem na sombra? Quantos continuam escravos do erro?
Não importa nosso sofrimento ao recordar o passado desde que aprendamos com ele a progredir.
O amor nos unirá aos companheiros que ficaram para trás para que caminhem conosco
 sob a mesma bandeira que já desfraldamos – a bandeira do Cristo.
Possa essa bandeira permanecer sempre estendida sobre nós, protegendo e abrigando todos nós.
       Aceita tua dor como o melhor remédio para a elevação de tua alma.
      CONFIA, SABENDO QUE ESTAMOS AO SEU LADO.

                                                                            Mira.

Reminiscências de uma alma

         Quando pela segunda vez recebi o aviso de que voltaria a escrever um Livro,
 não consegui dominar minha apreensão.Sobre o que escreveria dessa vez?
         Eu passaria pelo mesmo sofrimento que o outro me causara?
         Passados alguns dias, o aviso veio mais claro mostrando-me haver uma ligação com a China.
         Fui atrás do Luiz – o amigo e conselheiro de sempre - e contei-lhe do aviso e  minha preocupação.
Não mais queria passar pelo sofrimento do primeiro e sabia não ter a mínima condição de
escrever nada relacionado com a China.
Ele  disse que eu escreveria sim, visto  já haver tido uma encarnação naquele país.
 Aquietei-me e aguardei os acontecimentos.
 Algum tempo depois as narrativas se iniciaram. Dessa vez cena alguma me foi mostrada.
 Eu escrevia apenas o que o Cícero me transmitia por pensamento.
Embora ele descrevesse o trabalho que teve para conseguir nos reunir e formar o nosso grupo
 para os trabalhos mediúnicos, as recordações eram mais pessoais,
por se tratar de encarnações mais ligadas a ele. 
Mas os capítulos relativos á China, me emocionaram profundamente, especialmente
o que ele descreveu o amor que existiu entre nós e ao saber que voltei como sua neta, a pequenina Sue Lin.
Não consegui conter as lagrimas diante de seu sofrimento durante a grande seca quando foi vendida
como escrava para não morrer de fome. Naquele capitulo estava a explicação de minhas
 recordações de infância quando me via caminhando por uma longa estrada, de mãos dadas
com um velhinho chinês de longas barbas brancas.

A Volta ao Passado

         Hoje relendo a primeira mensagem de Mira, compreendi o quanto foi importante
 para nós a nossa volta ao passado.
 Facilitou-nos o trabalho no auxilio aquelas almas que permaneciam paradas no tempo,
na nossa querida Espanha, para nós, a Terra da Redenção.
Alguns padres - incluindo o velho cardeal - que tomaram parte na inquisição e
 finalmente, passaram a ver no Cristo: “O Caminho a Verdade e a Vida”.
       Consegui oferecer a outra face ao receber mediunicamente aquele que tanto mal me fizera,
auxiliando-o em sua renovação.       
  Receber amigos como padre Eustáquio ajudando-o a recomeçar uma nova vida.
 Nosso querido Ramon, como foi bom encontrá-lo! Servir-lhe de instrumento para
que despertasse para a verdade. Participar de sua alegria ao compreender que não fora abandonado
pelos antigos companheiros e que o filho querido, estava novamente reencarnado.
 Foi rápida sua renovação e hoje é um fiel servidor do Cristo na espiritualidade.
Vez por outra vem me visitar e trazer uma mensagem de conforto e esperança no futuro.  
       Finalmente, com o conhecimento de algumas encarnações passadas, tive a explicação para
 muitos acontecimentos e reencontros nessa atual.
 Isso me ajudou a manter a serenidade e a resignação, dando-me forças para suportar provas e resgates.
Agora bendigo as lagrimas que derramei e ainda derramo, todas as vezes que releio
 nosso livro e volto ao passado.
         Sob a bandeira do Cristo vamos nos redimindo e buscando nossa elevação no cumprimento
de nossos deveres com a vida e com Deus. Possa a luz do Cristo nos iluminar e em seus braços
encontrarmos consolo e proteção para prosseguirmos em nossa jornada
 em direção ao nosso Criador.
         

                

Música: Ernesto Cortazar - Over the Rainbow

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