Meu despertar

31-12-2009
Nasci e cresci num pequeno vilarejo no Estado do Rio de Janeiro, chamado Dorândia, bem
ao lado da
igreja onde fui batizada,
fiz a primeira comunhão e me casei.
Em
criança me vestia de anjo para coroar Nossa Senhora
no mês consagrado á Ela.
Na juventude ajudava na arrumação da igreja e cantava
durante as missas e procissões.
Mas foi somente após conhecer a Doutrina Espírita, que encontrei realmente
Jesus e compreendi
em sua plenitude,a grandeza e a misericórdia de Deus,
através da reencarnação.
Reencarnação! Palavra sublime que explica os mais diversos fatos
mostrando-nos o porque
de encontros, acontecimentos e de tantas dores.
Ainda criança sentia saudade sem saber dizer de que ou de quem. Tristeza
que não sabia explicar.
Lembranças que pareciam perdidas entre sombras.
Á
proporção que eu crescia elas também cresciam, tornando-se mais nítidas.
A
figura de um velhinho chinês, de longas barbas, caminhando ao meu lado por
uma
estrada que parecia não ter fim.
O temor pelas águas barrentas e tumultuosas.
O horror de ficar fechada em pequenos cômodos.
A tristeza que surgia em certos momentos, acrescida do desejo de por fim a
vida.
Tive então uma revelação dolorosa através de um sonho. Eu fora suicida
atirando-me as águas
tumultuosas de um rio, com um filho pequenino nos braços.
Havia agora, dentro de mim, a
certeza de que tivera outras vidas e as lembranças
que brotavam em fragmentos eram reminiscências
de um passado, talvez longínquo, mas que não se apagara de minha memória.
Aconteceu então a morte de minha mãe.
Pela manhã, ao acordar, eu trazia a certeza de que estivera com ela durante o
sono.
Recordava casas, jardins floridos, o banco onde sentávamos a conversar sob
a luz pálida do luar.
Estranhos carros que nos transportavam de um local a
outro.Um mundo igual ao nosso, porém mais belo.
Ansiosa por explicações que
desvendassem o que ainda era mistério para mim, encontrei nos livros de André
Luis a luz
sobre o outro mundo e as duvidas foram dissipadas através do estudo
das obras de Allan Kardec.
A doutrina dos Espíritos já estava dentro de mim, agora era segui-la com fé,
amor e dedicação.
Foi o que fiz.
O Auxilio
Em minha mediunidade embora não fosse agraciada com a vidência, eu
sentia os espíritos,
seu grau evolutivo e podia ouvi-los.
Meu marido, certa vez, foi acometido por inúmeras aftas que lhe
causavam grande sofrimento.
Apesar de medicado, elas persistiam, impedindo-o de
se alimentar.
Condoída de seu estado, numa tarde durante o lanche, ouvi alguém
me dizer: ”Pega uma pedra
de gelo e manda que ele a coloque sobre a afta durante
alguns minutos, repetindo se necessário”.
Assim o fizemos, e vimos com alegria a
dor desaparecer e a cura foi quase instantânea.
Embora se dissesse
católico, ele participava semanalmente do nosso Culto do Evangelho no Lar.
Sofrendo de enfisema pulmonar era acometido pela febre e entregava-se
confiante ao passe, que eu lhe
aplicava e a água fluidificada. Geralmente, após
alguns minutos, a febre desaparecia e ele ficava bem.
Houve uma vez, porém, que
ao aplicar-lhe o passe, ouvi a voz de sempre me dizer:
”Procure um medico com
urgência, o caso agora é grave”.
O medico chamado diagnosticou o começo de
uma pneumonia.
Medicado a tempo ficou logo curado.
Premonições
Houve uma fase em minha mediunidade em
que era constantemente assaltada por
pressentimentos e premonições.
Lembro-me de dois fatos ocorridos na mesma época que foram por mim
pressentidos.
Naquele domingo de céu azul e sereno nada fazia supor
que a noite, uma grande tragédia,
causada por forte temporal, sucederia
Eu no
entanto, tomada pelo pressentimento de que algo terrível iria acontecer, fiquei
angustiada durante todo o dia.
Naquela noite na Serra das Araras no Rio de
Janeiro, em minutos, dezenas de carros e seus
passageiros foram tragados por
enorme fenda que se abrira pela fúria das águas e soterrados
pela terra do deslizamento.Cenas dolorosas da tragédia que abalou tantos
corações
foram registradas por inúmeras revistas e jornais.
A outra tragédia se deu num sábado pouco tempo após a primeira.
Estando no Rio a passeio na casa de uma irmã, passávamos a tarde numa praia na
Ilha do
Governador
quando fui tomada pelo pressentimento já por mim
conhecido.
Á noite um grande desabamento,
de conseqüências dolorosas, se deu
num prédio
na zona Sul, causando sofrimento e morte.
Outras vezes as imagens se formavam como num filme sem que eu sentisse
qualquer emoção.
Numa segunda-feira eu repousava após o almoço quando, repentinamente, vi
como num filme,
a imagem de centenas de corpos de homens e mulheres estendidos
no chão. Cheguei mesmo a
comentar com meu marido contando-lhe da tragédia que
se desenrolaria na Índia.
No dia
seguinte, a noite, vendo o noticiário na
televisão, a mesma cena que eu vira foi mostrada.
Tratara-se de um escapamento de
gás
numa cidade da Índia com inúmeras vitimas.
Esses fatos eu os considero como os espinhos da mediunidade nos fazendo
sofrer
por nossa incapacidade de evitar as tragédias que ceifam tantas vidas.
Os Amigos Anônimos
Sabemos que centenas de Espíritos transitam diariamente pelos mais diversos
locais
confundindo-se com os encarnados.
Com nosso pensamento ou ação, atraímos para junto de nós aqueles que nos são
afins
e podemos até conquistar amigos entre
eles.
Meu marido sempre gostou de pescaria e ficava horas com a varinha
na mão a espera de algum peixe.
Passando uns dias na
casa de uma amiga na praia do Frade, em Angra dos Reis, uma noite o
acompanhei até ao pequeno dique, ficando sentada ao seu lado vendo-o pescar.
As
horas avançavam, já estava cansada e com sono e ele ali firme sem que um peixe
sequer,
beliscasse sua isca!
Foi então que senti que havia mais alguém ao nosso
lado.
Imaginei tratar-se do Espírito de algum antigo pescador e veio-me a idéia de
que
ele poderia nos ajudar.
Dirigi-me a ele mentalmente pedindo-lhe se seria
possível localizar um peixe para nós.
Não tardou muito e consegui receber sua
orientação indicando-me o local onde
meu marido deveria jogar sua vara.
Seguindo meu conselho, logo após ele a retirou com um belo peixe em sua ponta.
Agradeci a ajuda do amigo anônimo e pudemos, enfim, nos recolher.
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Era freqüente nossa
ida com amigos as praias de Angra.
Eu adorava o mar e ele a pescaria.
Viajando certa vez com um casal amigo, Moisés e Lilí, ele também pescador, os dois no
deixaram numa praia deserta a beira da estrada Rio Santos e foram pescar num rio próximo.
Durante algum tempo ficamos as duas sentadas a conversar.
Não sabíamos nadar e
ela, muito medrosa, só ficava á beira da água. Mas o mar estava calmo,
a água clara e morna e eu não resisti. Coloquei uma pequena bóia de cintura que possuía
e
soltei o corpo a boiar, olhando o céu azul, o mar muito verde a perder-se no
infinito.
Não sei quanto tempo fiquei usufruindo o encanto e a serenidade que
havia em tudo.
Quando procurei ficar em pé não mais senti o chão.
Assustada vi o quanto me distanciara da praia e gritei a minha amiga que não
conseguia voltar.
Ela, devido a distância, não me entendeu e continuou sentada
calmamente. Agora, já apavorada,
gritei por socorro e dessa vez consegui me
fazer ouvir.Compreendendo a situação ela caminhou mar
adentro até a água lhe bater no pescoço e começou a incentivar-me para tentar chegar até ela.
Não sei
se incentivada por ela ou impulsionada por uma força invisível, de braçada em
braçada,
alcancei sua mão.
Ao chegar a praia, emocionadas, nos abraçamos.
Ela
contou-me então que fora auxiliada por um Espírito de cor, muito humilde, que
se
apresentava de roupa branca, que lhe deu a coragem para enfrentar o mar.
Ali mesmo fizemos uma oração agradecendo a Deus e ao novo
amigo que me salvara
a vida.
O Pai Nosso
A Doutrina Espírita nos recomenda á não usarmos preces decoradas
quando nos dirigirmos
a Deus. Elas deverão brotar do coração, exprimindo
nossos sentimentos.
Com isso, o Pai Nosso, quase foi excluído das preces de
alguns espíritas,
que se esquecem de
que foi Jesus,
quando instado pelos
discípulos para que os ensinasse a orar, que o pronunciou.
Indo passar uns dias na casa de praia
da mesma amiga citada, Lilí - que me
levou pela
primeira vez
a uma casa espírita – na Vila de Mambucaba, Angra dos
Reis, constatamos a presença
de vários Espíritos
que estavam tão materializados, que quase os podíamos ver.
Tratava-se de antigos escravos e moradores
da casa que anteriormente ali existira.
Intuídas espiritualmente, os convidamos
para ouvir o Evangelho de Jesus e
a orar conosco.
Durante á tarde sentávamos na área dos fundos da casa cuja vista se estendia até
o mar
e íamos repetindo as
palavras consoladoras de Jesus. Nós os sentíamos agrupados ao
nosso redor a
ouvir-nos.Minha amiga encerrava as preleções com palavras buscadas em seu intimo.
Foi então
que ouvi do Mentor que nos orientava as palavras que atestam a importância
da
prece que Jesus nos ensinou:
“Rezem o Pai Nosso é a oração que eles
conhecem e que lhes fala ao coração”.
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Música:
Violinos - A lista de Schindler